João 11:17-37 - Expectativa x Esperança
- Comunidade Betesda
- 5 de nov. de 2024
- 23 min de leitura
Atualizado: 7 de nov. de 2024

“Quando Jesus chegou, encontrou Lázaro, já sepultado havia quatro dias. Ora, Betânia ficava a mais ou menos três quilômetros de Jerusalém. Muitos judeus vieram visitar Marta e Maria, a fim de consolá-las por causa do irmão. Marta, quando soube que Jesus estava chegando, foi encontrar se com ele; Maria, porém, ficou sentada em casa. Então Marta disse a Jesus: Se o Senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido. Mas também sei que, mesmo agora, tudo o que o Senhor pedir a Deus, Ele concederá. Jesus disse a ela: o seu irmão há de ressurgir. Ao que Marta respondeu: eu sei que ele há de ressurgir na ressurreição no último dia. Então Jesus declarou: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente. Você crê nisto? Marta respondeu: Sim, Jesus, eu creio que o Senhor é o Cristo, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo. Depois de dizer isto, Marta foi chamar Maria, a sua irmã, e lhe disse em particular: - O Mestre chegou e está chamando você. Quando Maria ouviu isso, levantou-se depressa e foi até ele, pois Jesus ainda não tinha entrado na aldeia, mas permaneciam onde Marta o havia encontrado. Os judeus que estavam com Maria em casa e a consolavam, vendo-a levantar-se depressa e sair, seguiram-na pensando que ela ia ao túmulo para chorar. Quando Maria chegou ao lugar onde Jesus estava, ao vê-lo, lançou-se aos Seus pés, dizendo: Se o Senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido. Quando Jesus viu que ela chorava e que os judeus que a acompanhavam também choravam, agitou-se no seu espírito e se comoveu. E perguntou: - Onde vocês o puseram? Eles responderam: - Senhor, venha ver! Jesus chorou. Então os judeus disseram: - Vejam o quanto Ele o amava. Mas alguns disseram: - Será que Ele, que abriu os olhos ao cego, não podia fazer com que Lázaro não morresse?” João 11:17-37
A história de Marta, Maria e Lázaro fala da experiência de uma família que tinha relacionamento com Jesus. Uma casa onde Jesus descansava! Um lugar onde Ele tinha prazer de estar! Ali não era um lugar de trabalho! Lázaro não era apóstolo; Marta e Maria não tinham funções na obra. Eles tinham uma vida normal e o seu grande trunfo era receber Jesus em sua casa! E essa família agora está passando por um momento difícil. O amor de Jesus por nós não nos isenta de passar por batalhas desse mundo; não nos isenta das tragédias, das aflições e dos sofrimentos terrenos. A grande diferença é que o sofrimento de alguém que é discípulo de Jesus produzirá nele frutos e maturidade enquanto o sofrimento de alguém que não conhece Jesus causará endurecimento. O sofrimento tende a endurecer o coração das pessoas, mas amadurece e quebranta quem teme a Deus! Estamos vivendo um tempo onde Deus tem falado, mas as pessoas têm endurecido o seu coração. Os dias são difíceis; as finanças estão difíceis e a gente pensa que quando melhorar seremos fiéis. Queridos, é a nossa fidelidade que farão as coisas melhorarem! É o cumprimento do princípio! Nós temos sido tão abençoados e, se formos fiéis ao princípio, seremos mais ainda!
Aquela família amada por Jesus, aquela Maria que escolheu a boa parte, aquela Marta que tinha todo seu esmero para servir a Jesus, agora estavam num momento de grande tribulação, onde seu irmão estava gravemente ferido de uma enfermidade que ia morrer. Mas, ao receber a notícia, Jesus permaneceu onde estava. Parece que ele não se importou muito. No momento da aflição Marta e Maria fizeram o quê? Elas buscaram o Cristo. O Cristo que as amavam e, com certeza, as atenderiam com prontidão! Certamente Ele mudaria sua agenda e viria correndo para atendê-las. Só que não foi assim. Elas buscaram a pessoa certa; buscaram a base certa! A busca delas estava no amor que Jesus tinha por Lázaro, e não no amor que Lázaro tinha por Jesus.
Como entender que a enfermidade não é para a morte, se Lázaro já tinha morrido? Já tinha quatro dias que Lázaro havia morrido, e Ele não fez nada! Dois dias depois, Jesus diz: “Nós vamos lá despertar Lázaro, porque ele dormiu”. Sabe por que Jesus falou que Lázaro dormiu? Porque a morte, para aquele que é servo de Cristo, é um sono! Quem dorme vai acordar! Vai ressuscitar! Essa é uma certeza que nós precisamos ter! Mas nesse momento Marta e Maria estão vivendo um luto, e elas vão à pessoa certa. “Quando Jesus chegou, encontrou Lázaro, já sepultado havia quatro dias. Betânia ficava a mais ou menos três quilômetros de Jerusalém. Os judeus vieram ter com eles e Marta, sabendo, correu a encontrar com Ele.”
Quatro dias de muito sofrimento. Além de terem que lidar com a dor da doença, agora precisam também lidar também com os por quês, com a ausência e com a dúvida: por que Cristo não agiu? Por que Ele não veio? Por que Ele não o curou? Será que Ele nos ama mesmo? Será que Deus se importa mesmo? Parece com a gente, ou não?! Por que o Senhor não abre a porta?! Por que o Senhor não resolve o problema?! Por quê?! Será que é porque Ele estava com medo das ameaças dos fariseus que os esperavam na Judéia? Será que Jesus estava com medo do sofrimento, pensando em si mesmo, ou será que Jesus queria ensinar que o amor que Ele tem não garante uma imunidade especial contra dificuldades, tragédias, dores e aflições?! Jesus nunca prometeu proteção contra as aflições deste mundo, pelo contrário, Ele nos deu uma promessa. No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo. Nós precisamos perseverar na esperança até o fim, porque estamos lidando com um inimigo que já foi vencido.
É terrível como as aflições nos afetam, mas Jesus nunca prometeu explicar porque nós passamos por elas. “Jesus, se o Senhor estivesse aqui meu irmão não teria morrido!” “Deus, porque eu estou passando por isso?!”. Jesus nunca prometeu proteção, mas Ele nos prometeu segurança. As aflições podem nos atingir, mas Ele nos prometeu a segurança de que Ele está conosco! Quais são as guerras do Senhor? As nossas guerras! Ele entra nas nossas guerras, mas Ele nunca prometeu que nós não passaríamos por elas. Mas, como segurança, Ele deu a si mesmo como explicação que nós precisamos para aguentar e passar pela transitoriedade da nossa vida. Ele deu a si mesmo como explicação. Ele venceu o mundo, Ele foi para a cruz. O Deus que se tornou carne e veio a esse mundo. Precisa mais segurança para entender toda essa obra?
Marta, quando sabe que Jesus está chegando, vai ao encontro dele. Essa é Marta sendo Marta, porém um pouco mais convertida, pois agora ela já não está dando bronca em Jesus. Ela cresceu. Marta, com o seu temperamento diligente, proativo, espera Jesus entrar na cidade. “Não vou recebê-lo na porta, porque Ele sabe que é querido”. A dor dela era grande, mas o seu coração sabia que com Jesus chegava também o consolo, o conforto, a expectativa de algo acontecer, da situação mudar e ela sair do sofrimento. Tanto Marta quanto Maria tinham expectativas, que levam a ansiedade, impedindo de perceber a plena vida de Deus. A expectativa é algo que nasce de nós para Deus. Ela tem a ver com aquilo que eu espero que Deus faça.
A expectativa torna impossível conciliar o meu tempo, que é o Chronos, com o tempo de Jesus, que é o Kairós. Como entender Jesus dizendo que a doença não é para a morte, se Lázaro morreu? Marta tem um choque aqui! Ela oscila entre fé e lógica, expectativa e frustração, razão e o consolo da espiritualidade. "Se o Senhor estivesse aqui, ele não teria morrido. Mas também sei que, mesmo agora, tudo o que o Senhor pedir a Deus, Ele concederá." Nós fazemos isso! O que Jesus poderia pedir a Deus naquela hora? "Seu irmão há de ressurgir." Nossa, que palavra de Deus! Nosso conhecimento intelectual responde: "Eu sei que ele há de ressurgir na ressurreição do último dia." - Jesus, eu entendi! Eu sei que vai morrer, vai para o céu. Mas estou falando do problema agora, que você não resolveu! Eu sei que pensar na eternidade é importante, que andar pela agenda celeste e não pela agenda carnal, é essencial. Eu sei que quando morrermos vamos para o céu, mas o problema de agora não está resolvido!
Talvez a expectativa seja o motivo da nossa maior angústia e fracasso na fé: querer que Deus aja no nosso tempo. E, quando as coisas não acontecem do jeito que esperamos, achamos que tudo acabou, que Jesus nunca vai agir. Tornamo-nos crentes de um Jesus do passado. Algo nos trouxe para a fé, e cremos num Deus que curou e fez milagres no passado. Um Deus que quando estávamos sem dinheiro, milagrosamente fez dinheiro aparecer; quando estávamos doentes nos curou; quando o casamento estava desestruturado, Ele restaurou. Tentamos manter nossa fé lembrando de coisas do passado. É bom trazer à memória o que alimenta a fé, mas não podemos nos alimentar apenas do que passou. Muitas vezes também desenvolvemos uma fé no Jesus do futuro; um Jesus lá no céu! Vivemos o desânimo do dia a dia, das pressões deste mundo, da rotina e das finanças apertadas, acreditando em um Jesus que agiu no passado e que voltará no futuro, mas sem conseguir uma conexão com o Jesus que está presente aqui e agora, querendo transformar a nossa vida. Assim, nos dirigimos ao culto como uma obrigação religiosa, medindo o tempo, olhando o relógio porque temos muitas outras coisas a fazer. Ou decidimos não vou orar, nem celebrar a Deus, porque parece que isso já não resolve muito. Quando fazemos isso, estamos tentando resolver as coisas à nossa maneira. Marta queria um Jesus do futuro, mas não estava discernindo que Jesus estava ali, presente, naquela hora. Queridos, Jesus está presente hoje, agora! O passado é para alimentar nossa fé, o futuro para gerar esperança, e não expectativa, pois a expectativa pode ser frustrada.
Jesus diz: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente." Você não precisa de dinheiro, precisa de vida! Você não precisa de uma mudança externa, mas de vida! Ele é a vida! Por isso, vemos que quando Maria escolheu a melhor parte, priorizou o que realmente importava: conhecer Jesus. Quando Jesus ensinava, Ele não passava conteúdo teórico, técnico ou teológico. Ele se revelava. É isso que queremos e precisamos: a revelação de quem Ele é. Jesus amava Marta e foi ao encontro dela no tempo certo. Nem os argumentos de Marta, nem o choro de Maria mudaram o que Jesus queria fazer, mas Ele as amava e dominava sobre a morte e o sofrimento. Ele é a ressurreição. Se algo precisa morrer, vai ressuscitar. Existem coisas em nossa vida que precisam morrer para que nasçam como Deus planejou, para que deem frutos no tempo certo.
"Todo aquele que vive e crê em mim não morrerá eternamente." E Marta responde: "Sim, Jesus, eu creio que o Senhor é o Cristo, o Filho de Deus que veio ao mundo." Isso é fé genuína! Marta não conseguiu nada com Jesus com seus argumentos, mas foi consolada. "Eu creio que o Senhor é o Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo." Isso é o que precisamos crer! Lázaro morreu, a dor era grande, a situação era difícil, mas havia a esperança de que o Senhor é o Cristo, o Filho de Deus, que governa a vida daquele que nele crê. Mesmo que pareça que está longe, Ele está presente. Ele conhece todas as coisas e sabe o que está no nosso coração. Marta e Maria tinham algo em comum: eram livres para serem elas mesmas diante de Deus. E elas não tinham dúvidas de quem Jesus era. Elas sabiam que Ele era o Cristo, o Filho de Deus, o Salvador. Mas, mesmo tendo essa fé, a dor e o sofrimento da perda ainda estavam presentes. Essa é a realidade que muitos de nós enfrentamos: temos fé em Jesus, sabemos quem Ele é, mas quando enfrentamos dificuldades, é natural que venham questionamentos e angústias.
Maria estava em casa, no luto, mas, ao saber que Jesus a chamava, ela se levanta rapidamente e vai ao encontro Dele. Isso demonstra o quanto o chamado de Jesus é irresistível para aqueles que O amam. E assim é conosco: mesmo nos momentos de dor e sofrimento, quando sentimos o chamado de Jesus, algo dentro de nós se levanta. É o consolo que vem do Espírito Santo, que nos impulsiona a ir até Ele, a buscar nele a força e a paz que o mundo não pode nos dar. Quando ela chega ao lugar onde Jesus estava e O viu, lançou-se aos Seus pés, chorando. Ela disse: “Se o Senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido". É o mesmo questionamento que Marta fez. Ambas tinham a mesma fé e a mesma dor. Elas acreditavam que, se Jesus tivesse estado ali antes, Lázaro não teria morrido. Essa é uma expressão de fé, mas também de expectativa frustrada. Elas acreditavam que a presença de Jesus no momento certo teria mudado a situação.
Jesus, ao ver Maria e os judeus que a acompanhavam, comoveu-se profundamente e chorou.
Esse é um dos momentos mais tocantes das Escrituras. Jesus, o Filho de Deus, o próprio Deus encarnado, chorou. Esse versículo nos revela o coração compassivo de Jesus, que se solidariza com a dor humana. Mesmo sabendo que ressuscitaria Lázaro em breve, Ele se compadeceu da dor de Maria e dos outros. Isso mostra que Jesus entende e se importa com as nossas lágrimas, com as nossas lutas e com os momentos em que nossa fé parece fraca. Os judeus que estavam ali comentaram: - Vejam o quanto Ele o amava! Mas outros disseram: - Será que Ele, que abriu os olhos do cego, não poderia ter impedido que Lázaro morresse? Esse questionamento representa a incredulidade e a dúvida que muitos têm em relação ao poder de Jesus. Eles sabiam que Ele tinha poder para curar, mas talvez não compreendessem plenamente que Ele também tinha poder sobre a morte.
Jesus, novamente comovido, foi ao túmulo. Era uma caverna com uma pedra colocada sobre a entrada. E Ele disse: - Tirem a pedra. Marta, preocupada, advertiu: Senhor, já cheira mal, pois fazem quatro dias. Ela ainda não havia compreendido completamente o que Jesus estava prestes a fazer. Sua fé ainda estava limitada pela lógica humana, pela realidade física de que seu irmão estava morto há quatro dias. Mas Jesus respondeu: - Eu não lhe disse que, se você crer, verá a glória de Deus? Essa declaração é poderosa e aplica-se a todos nós. Muitas vezes, nossa fé é limitada pelas circunstâncias, pelo que vemos com os olhos naturais. Jesus estava ensinando a Marta, e a nós, que a fé verdadeira vai além das circunstâncias visíveis e das limitações humanas. Ele nos convida a crer no impossível, a confiar que Ele é capaz de fazer o que ninguém mais pode fazer.
Então, removeram a pedra, e Jesus, levantando os olhos para o céu, orou: "Pai, eu Te agradeço porque me ouviste. Eu sei que sempre me ouves, mas disse isso por causa da multidão que está aqui, para que creiam que Tu me enviaste." Jesus não precisava orar em voz alta para ser ouvido pelo Pai, mas Ele fez isso para que todos os presentes soubessem que o poder que Ele manifestava vinha de Deus. Ele queria que as pessoas cressem Nele como o Filho de Deus, enviado pelo Pai. Depois de orar, Jesus clamou em alta voz: "Lázaro, venha para fora!" E, então, o milagre aconteceu: Lázaro saiu, ainda envolto nas faixas de linho e com o rosto coberto por um pano. Jesus ordenou: "Desamarrem-no e deixem-no ir."
Esse momento é um dos maiores testemunhos do poder de Jesus sobre a morte e o túmulo. Ele provou que é, de fato, a ressurreição e a vida. Para Ele, não há situação impossível. Mesmo quando tudo parece perdido, quando todas as esperanças humanas se desvanecem, Jesus ainda tem o poder de transformar a situação. Essa história nos ensina que Jesus não age conforme nossas expectativas. Ele não veio imediatamente quando Lázaro estava doente porque tinha um propósito maior. Ele permitiu que Lázaro morresse para que a glória de Deus fosse revelada de forma ainda mais impressionante. Muitas vezes, passamos por momentos de espera, de silêncio, e isso nos faz questionar. Mas, se confiarmos em Jesus, veremos a glória de Deus, mesmo que não seja da maneira como esperávamos.
Também aprendemos que a fé verdadeira nos leva a ver além das circunstâncias. Marta e Maria tinham fé, mas estavam limitadas pela lógica e pelas condições físicas. Jesus as convidou a crer que, com Deus, tudo é possível. Ele as desafiou a ver além do túmulo, a enxergar a vida onde todos viam a morte. E, finalmente, essa passagem nos mostra que Jesus se importa com a nossa dor. Ele chorou com Maria e com os outros. Ele não é indiferente às nossas lutas e sofrimentos. Mesmo que Ele permita que passemos por situações difíceis, Ele está conosco, Ele sente a nossa dor e caminha ao nosso lado. Assim, sejamos encorajados a confiar em Jesus, mesmo nas situações mais sombrias. Ele é a ressurreição e a vida, e aquele que crê nele, ainda que morra, viverá. Que possamos ter uma fé que vai além das expectativas humanas e nos permite ver a glória de Deus em nossas vidas. Quantas vezes, na nossa caminhada, não passamos por situações em que parece que Deus está demorando, que Ele não está ouvindo, que nossas orações não estão sendo atendidas? Ficamos frustrados, como Marta e Maria, e pensamos: "Senhor, se o Senhor estivesse aqui, isso não teria acontecido." Mas Jesus nos ensina, por meio dessa situação com Lázaro, que Ele tem um propósito maior em tudo o que faz. Ele nunca chega tarde demais. Ele tem o tempo perfeito, e seu desejo é que vejamos a glória de Deus em nossas vidas, de uma forma que talvez não pudéssemos imaginar ou esperar.
Jesus é a própria ressurreição e a vida, e Ele nos chama para viver uma fé que vai além das circunstâncias. A fé que não se abala com o tempo, que não se perde na demora, mas que se sustenta na confiança de que Deus está no controle, de que Ele tem um propósito e de que, no tempo certo, Ele agirá. O convite de Jesus para Marta foi muito claro: "Se você crer, verá a glória de Deus." E é isso que Ele nos diz hoje também. Muitas vezes, enfrentamos situações que parecem estar "sepultadas" há muito tempo. Talvez você tenha uma área da sua vida em que sente que tudo já está morto, que não há mais esperança. Pode ser um relacionamento, um sonho, uma promessa, uma área em que você acredita que não tem mais solução. Mas Jesus é especialista em trazer vida onde há morte, em transformar o impossível em realidade. A palavra "ressurreição" significa trazer de volta à vida aquilo que estava morto. Jesus quer trazer ressurreição para as áreas da nossa vida que estão secas, que estão sem esperança, que parecem estar sem solução. Ele quer que você veja a glória de Deus se manifestando em sua vida, mas isso exige fé e entrega total.
Esse encontro de Jesus com Marta e Maria nos lembra que podemos ser sinceros com Deus, que podemos levar nossas dúvidas, nossas dores e frustrações a Ele. Marta e Maria expressaram sua dor a Jesus, e Ele não as repreendeu por isso. Ao contrário, Ele se comoveu e chorou com elas. Jesus entende a nossa humanidade e se importa profundamente conosco. Ele não é um Deus distante, indiferente aos nossos sofrimentos. Ele é um Deus que se aproxima, que sente nossa dor, que se compadece e que age no momento certo. Quando Jesus ordenou que tirassem a pedra do túmulo de Lázaro, Ele estava mostrando que havia uma responsabilidade que cabia aos homens. Eles precisavam remover a pedra para que o milagre pudesse acontecer. Assim também em nossa vida, há "pedras" que precisam ser removidas para que Deus possa agir. Pode ser uma pedra de incredulidade, de falta de perdão, de orgulho, ou qualquer outra coisa que esteja impedindo a manifestação da glória de Deus. Às vezes, queremos que Deus faça tudo, mas Ele nos chama a participar do processo. Ele nos convida a remover as pedras do nosso coração, a tirar aquilo que está bloqueando a ação do Espírito Santo, para que Ele possa agir e trazer vida onde há morte.
Quando finalmente Lázaro saiu do túmulo, Jesus deu outra ordem: "Desamarrem-no e deixem-no ir." Lázaro ainda estava envolto nas faixas de linho, que simbolizam os vínculos que nos prendem ao passado, às coisas que nos limitam e nos impedem de viver plenamente a nova vida que Jesus nos oferece. Da mesma forma, quando Jesus nos chama para fora do nosso "túmulo", Ele quer que sejamos completamente livres. Ele nos liberta das amarras do pecado, da culpa, da vergonha, do medo e de tudo o que nos aprisiona. Ele nos chama para viver uma vida abundante, livre e plena, onde podemos caminhar sem restrições, guiados pelo Espírito Santo. Essa liberdade, no entanto, exige que permitamos que Deus nos "desamarre" das coisas que ainda nos prendem. Muitas vezes, mesmo após recebermos a vida de Jesus, ainda carregamos amarras do passado, traumas, hábitos ou medos que precisam ser removidos para que possamos viver plenamente a nova vida que Ele nos oferece.
Essa passagem nos ensina, acima de tudo, sobre o poder da fé e da confiança em Deus. Deus não está limitado pelas circunstâncias ou pelo tempo. Ele é o Senhor da vida e da morte, e quando Ele fala, até os mortos obedecem. Jesus nos chama a ter uma fé inabalável, que vai além do que vemos, do que sentimos, e que se sustenta na certeza de que Ele é Deus, de que Ele é fiel e de que Ele cumpre Suas promessas. Essa história nos lembra que não estamos sozinhos em nossas lutas, que temos um Deus que se importa, que está presente e que age em nosso favor, mesmo que não compreendamos Seu tempo ou Seus caminhos. E, assim como Lázaro, também somos chamados a sair do túmulo, a viver a ressurreição em nossa vida, a experimentar o poder de Deus que traz nova vida, que transforma o impossível em realidade.
Então, somos chamados para viver essa vida de ressurreição, para confiar no Senhor em todas as circunstâncias, sabendo que Ele está no controle, que Ele tem um propósito em tudo o que acontece. Quando Jesus disse a Marta que, se ela cresse, veria a glória de Deus, Ele estava nos mostrando que a fé é a chave para ver essa glória manifesta em nossas vidas. E não é uma fé qualquer, mas uma fé que confia, que espera, que se mantém firme, mesmo quando tudo parece perdido.
A história de Lázaro nos ensina também sobre a importância de esperar no Senhor, de ter paciência no processo. Quantas vezes queremos respostas imediatas, queremos que Deus aja no nosso tempo, da nossa maneira? Mas Deus não trabalha de acordo com a nossa pressa. Ele tem Seu próprio tempo, e Seu tempo é perfeito. Às vezes, Ele permite que esperemos, que enfrentemos desafios, para que possamos amadurecer, crescer, para que nossa fé seja fortalecida. Esperar em Deus é uma prova de fé. É confiar que Ele sabe o que é melhor, que Ele tem o controle e que, no momento certo, Ele agirá. E enquanto esperamos, Ele nos consola, nos fortalece e nos prepara para o que virá. Assim, quando o milagre chega, estamos prontos para recebê-lo e para testemunhar da bondade e do poder de Deus em nossa vida.
Lázaro foi ressuscitado, e esse milagre trouxe grande glória ao nome de Jesus. Muitos que estavam presentes creram nele ao verem o que Ele fez. Isso nos mostra que, às vezes, Deus permite que passemos por situações difíceis para que Seu nome seja glorificado, para que outros possam ver Seu poder e também venham a crer. Nosso sofrimento, nossas lutas, podem se tornar um testemunho poderoso da fidelidade de Deus, da Sua capacidade de fazer o impossível. E isso é algo que precisamos entender: a nossa vida não é só sobre nós. O que Deus faz em nós e através de nós pode impactar a vida de muitas outras pessoas. Quando escolhemos crer, quando permitimos que Deus seja glorificado em nossa história, nosso testemunho pode ser uma fonte de esperança e de fé para aqueles que estão ao nosso redor. Deus deseja usar nossa vida para atrair outros para Ele, para que vejam que Ele é real, que Ele é poderoso, que Ele é fiel.
Assim como Jesus disse a Marta, Ele nos diz hoje: "Se você crer, verá a glória de Deus." Esse é o convite que Ele nos faz, mesmo em meio às lutas e desafios. Ele nos chama a crer, a confiar, a entregar nossas ansiedades, nossos medos, e a descansar em Sua presença. E, quando fazemos isso, quando realmente colocamos nossa fé Nele, Ele se revela a nós de forma extraordinária. Vemos Sua glória, vemos Seu amor e experimentamos a paz que só Ele pode dar. Essa paz que excede todo o entendimento não depende das circunstâncias ao nosso redor. Ela é fruto da nossa confiança em Jesus, da certeza de que Ele é por nós, de que Ele está no controle e de que, no tempo certo, Ele agirá. Jesus não prometeu uma vida sem problemas, mas Ele prometeu que estaria conosco em cada momento, que nos daria força, que nos sustentaria, e que, no final, tudo cooperaria para o nosso bem.
Então, ao enfrentarmos as dificuldades da vida, que possamos lembrar da história de Lázaro. Que possamos nos lembrar de que servimos a um Deus que tem poder sobre a vida e a morte, um Deus que se importa profundamente conosco, que nos ama, e que está trabalhando para o nosso bem. E, assim, possamos renovar nossa fé, nossa esperança, e nos entregarmos completamente a Ele. Ele é a ressurreição e a vida, e Ele nos chama a viver essa vida em abundância, uma vida onde não estamos presos ao passado, nem angustiados com o futuro, mas vivendo plenamente no presente, com a certeza de que Ele está conosco e de que nele, temos tudo o que precisamos. Essa é a essência da vida cristã: uma vida de confiança, de entrega e de relacionamento com Jesus.
O silêncio de Deus não significa Sua ausência. Na na verdade, Ele está sempre presente e, muitas vezes, trabalha nos bastidores de formas que não compreendemos. Quando tudo parece estar perdido, quando não vemos saída, Jesus nos chama a lembrar quem Ele é. Ele não é apenas um profeta ou um mestre. Ele é a própria ressurreição e a vida e nos convida a deixar de lado as limitações da nossa visão humana e a colocar nossa total confiança nele, crendo em Seu poder para transformar qualquer situação.
A fé, no entanto, não é passiva. Ela exige uma resposta de nossa parte. Quando Jesus mandou que tirassem a pedra do túmulo de Lázaro, Ele estava mostrando que, para ver o milagre, era necessário agir. Da mesma forma, há momentos em que Deus nos pede que removamos as "pedras" em nossa vida: as dúvidas, o medo, o orgulho, ou qualquer outra coisa que possa estar impedindo a ação de Deus. Ele quer que tomemos passos de fé, que confiemos nele o suficiente para fazer nossa parte e, então, permitir que Ele faça o impossível.
Outra lição poderosa dessa história é que Jesus se compadece de nós. Ele entende nossas dores, nossos medos e nossas lutas. O fato de que Jesus chorou ao ver a dor de Maria e dos outros que estavam de luto por Lázaro nos mostra que Ele realmente se importa. Ele não é um Deus distante, mas um Salvador que sente nossa dor, que caminha ao nosso lado e que nos consola. O choro de Jesus é um lembrete de que Ele é profundamente humano e divino ao mesmo tempo. Ele é um Deus que se relaciona, que se aproxima e que nos acolhe em nossa vulnerabilidade. Ele conhece nossas fragilidades e nos encontra exatamente onde estamos. Essa compaixão divina nos dá forças para enfrentar qualquer situação, sabendo que não estamos sozinhos.
Quando pensamos em Lázaro saindo do túmulo, ainda envolto nas faixas, somos lembrados de que Deus não quer apenas nos tirar da morte, mas também nos libertar de tudo o que nos prende. Muitas vezes, mesmo após experimentar a salvação, ainda carregamos “faixas” que nos limitam, que nos impedem de viver a plenitude da nova vida em Cristo. Podem ser feridas do passado, ressentimentos, inseguranças, ou até mesmo padrões de comportamento que não refletem o caráter de Jesus. Ele nos chama a remover essas amarras, a deixar para trás tudo o que nos impede de caminhar livremente em Sua presença. Ele deseja que sejamos verdadeiramente livres, que vivamos uma vida abundante e cheia de propósito. Mas isso requer que entreguemos a Ele todas as áreas de nossa vida, confiando que Ele sabe o que é melhor para nós.
A ressurreição de Lázaro é um símbolo do que Jesus quer fazer em cada um de nós. Ele não quer apenas nos dar uma nova vida; Ele quer que experimentemos uma vida transformada, uma vida que reflete Seu amor, Sua paz e Sua alegria. Ele nos chama a sair da escuridão, a deixar para trás tudo o que nos prende e a viver na luz de Sua presença. O próprio fato de que Jesus esperou dois dias antes de ir até Betânia nos mostra que Ele tinha um propósito maior. Ele sabia que o milagre de ressuscitar Lázaro seria um testemunho poderoso para muitos. Às vezes, Deus permite que enfrentemos situações difíceis para que Sua glória seja revelada em nossa vida e através dela. Quando aprendemos a confiar em Seus planos e em Seu tempo, somos fortalecidos e vemos que Ele sempre age para o nosso bem, mesmo que isso não seja claro no momento. Deus nos convida a viver uma fé que não limitada pelas circunstâncias. Ele quer que acreditemos em Suas promessas, mesmo quando tudo ao nosso redor parece dizer o contrário. Ele deseja que nos agarremos a Ele e à Sua palavra, com a certeza de que Ele é fiel e de que cumprirá tudo o que prometeu. E essa fé nos permite viver em paz, mesmo em meio às tempestades, porque sabemos que nossa vida está segura nas mãos de Deus.
Também somos chamados a caminhar em comunhão com outros. Quando Lázaro saiu do túmulo, ele ainda estava amarrado nas faixas de linho, e Jesus disse às pessoas ao redor: "Desamarrem-no e deixem-no ir". Da mesma forma, na nossa jornada de fé, muitas vezes precisamos do apoio e da ajuda de outros para remover as amarras que ainda restam, para nos ajudar a crescer e a nos libertar de tudo o que nos limita. A igreja, a comunidade de irmãos, é o lugar onde somos encorajados, onde recebemos apoio, onde encontramos pessoas que caminham ao nosso lado e nos ajudam a nos livrar das amarras que nos prendem. É na comunhão que somos edificados, que somos fortalecidos, e que podemos ajudar uns aos outros a viver a liberdade que Cristo conquistou para nós. O corpo de Cristo é chamado a ser um ambiente de apoio, de cura e de crescimento, onde cada um pode cumprir o seu propósito e ser um testemunho vivo do amor de Deus.
A ressurreição de Lázaro aponta para a ressurreição final, quando todos os que estão em Cristo serão ressuscitados para a vida eterna. Mas ela também aponta para a nova vida que podemos experimentar aqui e agora, quando nos entregamos a Jesus e permitimos que Ele transforme cada área de nossa vida. Em meio às lutas, em meio às dificuldades, podemos nos apegar a essa esperança. Que possamos ouvir Sua voz nos chamando para fora, nos chamando para viver uma vida de fé, de esperança e de liberdade. E que nossa vida seja um testemunho do poder de Deus, para que outros também vejam e creiam Nele.
Muitas vezes, queremos que Deus aja imediatamente, que Ele intervenha na hora em que clamamos. Mas, em Sua sabedoria perfeita, Deus permite que certas coisas aconteçam no tempo certo, para que o propósito Dele seja plenamente realizado. No caso de Lázaro, Jesus intencionalmente esperou quatro dias antes de ir até ele. Isso porque, para os judeus daquela época, uma pessoa só era considerada "definitivamente morta" após três dias. Ao esperar o quarto dia, Jesus estava preparando o cenário para um milagre inquestionável, que glorificaria a Deus de forma extraordinária. Assim, vemos que o tempo de Deus é sempre perfeito, mesmo quando parece tardio para nós. Quando confiamos, podemos descansar na certeza de que Ele sabe o que está fazendo, que está no controle e age para o nosso bem. Muitas vezes, a espera faz parte do processo de amadurecimento da nossa fé. Na espera, aprendemos a confiar, a depender e a conhecer mais profundamente o coração de Deus. Esperar em Deus é uma expressão de submissão e humildade pois, ao esperar, reconhecemos que Ele sabe o que é melhor para nós. Esperar nos ensina a depender de Deus e a abandonar o controle que tanto queremos ter sobre nossas vidas. Ao entregar o controle a Ele, encontramos verdadeira paz pois sabemos que estamos nas mãos de um Pai amoroso e fiel.
A ressurreição de Lázaro nos revela a natureza da missão de Jesus. Ele veio ao mundo para trazer vida onde há morte, luz onde há trevas e restaurar aquilo que estava perdido. E essa missão continua até hoje. Ele quer fazer isso na vida de cada um de nós. Ele deseja ressuscitar os sonhos que morreram, restaurar os relacionamentos quebrados, curar as feridas profundas do coração, e nos dar uma vida plena e abundante. E mais do que isso, Ele quer que sejamos participantes dessa missão! Como Seus seguidores, somos chamados a ser portadores dessa vida e levar a mensagem de esperança e de salvação a um mundo que está espiritualmente morto. Responder a esse chamado é experimentar uma vida que vai além da mediocridade e que tem um propósito. Jesus disse: "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (João 10:10). Essa vida abundante é uma vida de comunhão com Ele, onde encontramos satisfação, paz e a esperança que vai além das circunstâncias deste mundo.
A maior promessa que temos em Cristo é a vida eterna. Ele mesmo disse: "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá". Essa é a garantia de que, embora possamos enfrentar dificuldades, lutas e até mesmo a morte, temos uma esperança que vai além deste mundo. Temos a promessa de que estaremos com Ele para sempre e que um dia toda lágrima será enxugada, toda dor será removida e viveremos eternamente em Sua presença. Que essa esperança encha os nossos corações de paz e confiança e nos fortaleça para enfrentar as dificuldades da vida com coragem, nos ajudando a viver maneira a refletir o amor e o caráter de Cristo. Quando sabemos que nossa vida está segura em Deus e que nada pode nos separar do Seu amor, vivemos de maneira diferente. Não somos mais escravos do medo, da ansiedade ou da desesperança. Caminhamos em fé, certos de que Deus está conosco.
Que ao olharmos para a história de Lázaro, lembremos que Jesus é o nosso amigo fiel que se importa conosco. Ele entende nossas dores e está sempre pronto para nos ajudar em cada situação e cada momento de dificuldade. E, quando respondemos ao Seu chamado, experimentamos a verdadeira vida, uma vida que só Ele pode nos dar.
Amém.
Mensagem ministrada na Comunidade de Cristão Betesda na manhã de domingo em 03 de novembro de 2024 por Juliano Sales



Comentários